a cidade das orquídeas.

Quem aprecia uma bela orquídea precisa saber que para que a planta chegue até sua florada há todo um processo artesanal e extremamente delicado por trás.
Esse trabalho pode ser acompanhado no Biorchids, um dos maiores matrizeiros de orquídeas da América Latina, que fica na Serra do Mursa, em Várzea Paulista.
Em seu laboratório, são produzidas orquídeas das mais variadas espécies, algumas inclusive em risco de extinção. “Procuramos preservar as espécies, mas infelizmente, não podemos devolvê-las ao seu habitat, porque ele deixou de existir”, comenta Gerson, lembrando de fatores que contribuem com a extinção de espécies, como a devastação de áreas ricas em árvores classificadas como madeira de lei e a falta de conhecimento de pessoas que não reconhecem a flor e a retiram do seu habitat, o que comumente acontece com as microrquídeas.
Dentre as espécies em extinção produzidas estão ‘Laelia Fidelense’, nativa do morro de São Fidelis, no Rio de Janeiro, que já não existe mais, além das ‘Cathleyas Ametistoglossa’ e ‘Shilleriana’, também do Sul da Bahia e a raríssima, a ‘Catlheya Velutina’, nativa do Espírito Santo.
Segundo informações de Tadeu D’Andrea, do Biorchids, o crescimento da produção de mudas chegou a aumentar 25% esse ano.
De 1 milhão de mudas produzidas anualmente no Biorchids, 300 mil são exportadas para países como Japão, Estados Unidos e Itália. Somente no primeiro semestre deste ano, foram mais de 8 mil mudas exportadas para Alemanha, Estados Unidos, Japão e Dinamarca. “Em março, participamos de uma exposição na Alemanha onde vendemos 5 mil mudas de espécies brasileiras. Já temos confirmadas quatro exposições para 2011, três nos Estados Unidos e uma na Inglaterra”, conta Tadeu, lembrando que a média de exportação de mudas é de até 40 mil ao ano.
Novidades para o 6º Orquivárzea
Para esse ano, a grande novidade será a espécie ‘Dendrobium Phalaenopsis’. Segundo Gerson Calore, trata-se de um híbrido de origem asiática. “Essas plantas tem uma incrível variedade de cores, podendo variar do branco até o azul escuro”, explica.
Neste ano, o orquidário trará mais de 10 mil plantas – floridas e mudas – para venda no Orquivárzea. “Serão belíssimos exemplares para este ano, que promete muitas novidades como, por exemplo, a venda de mini estufas para cultivo da planta em casa”, conta Gerson, animado.
Pioneirismo
“Lembro quando ia com meu pai e meus irmãos de trem levar orquídeas no Largo do Arouche”, conta Gerson, saudoso.
Foi nos anos 50, com Sinésio Calore, que começou a tradição do cultivo e vendas das orquídeas. Gerson conta que naquela época era comum a venda das flores cortadas. “As pessoas não sabiam como cultivar orquídeas e sempre descartavam os vasos quando as flores murchavam, então era somente comercializada a flor. Cultivávamos a planta para nova florada e poda”, lembra. A comercialização era realizada no Largo do Arouche, na Lapa e na Floricultura Colômbia, no bairro Jardins.
“Tempos depois percebi que a procura dos vasos começou a ser maior, então me dediquei ao cultivo das mudas, aumentando a quantidade de plantas com qualidade, com plantas próprias para o cultivo”, conta Gerson. Segundo ele em um frasco de cultivo no laboratório, chega-se a produzir 450 mudas da espécie. “É um trabalho que exige cuidado e muita dedicação, pois o meio de cultivo é altamente contaminável e pode comprometer dezenas de mudas”, explica.

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